Homem e natureza num Brasil medieval
Leia na Folha tradução da entrevista do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss, 96, sobre seus anos no Brasil (1935-39), para dar aulas na recém-fundada USP (1934). A entrevista feita por VÉRONIQUE MORTAIGNE, do diário Le Monde, mostra por que o que acontece na Amazônia (e no cerrado, na mata atlântica, na caatinga...) tem tudo a ver com ciência. Não é ela a relação humana por excelência com a natureza? Leia o que diz LS sobre as relações dos brasileiros com a mãe de todas as realidades:
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"Mesmo em meu tempo, a natureza já havia mudado muito em São Paulo. Houve a época do café, e as áreas em torno da cidade foram dedicadas a essa indústria agroalimentar. Dessa natureza tão forte, porém, sobreviviam as encostas da serra do Mar, entre São Paulo e o porto de Santos. Ali, num trecho de alguns quilômetros, ocorria um desnível de 800 metros, tão abrupto que a civilização desdenhara o lugar, deixando-o entregue à mata virgem. Assim, quando se desembarcava em Santos para subir para São Paulo, tinha-se um contato breve, mas imediato, com aquilo que o Brasil do interior, a milhares de quilômetros de distância, ainda podia reservar.
A ligação entre homem e natureza talvez tenha se rompido e, ao mesmo tempo, podemos compreender que o Brasil, que se desenvolveu de modo tão considerável, mantenha com a natureza a mesma política que teve a Europa na Idade Média: destruir a natureza para instalar a agricultura."


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